terça-feira, 8 de novembro de 2016

Livro 32 – As pessoas dos livros

Gostei desse livro da minha xará, Fernanda Young (As pessoas dos livros, Editora Objetiva). A história é de uma personagem cheia de contradições como todos nós, a escritora Amanda Ayd. Por um lado, uma escritora independente e bem sucedida. Por outro, uma mulher enciumada e com sérios problemas de autoestima.

Gostei demais da capa dessa edição também, com a autora de costas na capa. Comecei a ler assim que o livro chegou e só depois de ter lido algumas páginas eu percebi que na contracapa tinha a foto dela de frente.

O incômodo da personagem com a necessidade de ser feliz o tempo inteiro é uma sensação que eu compartilho com ela. Amanda não tem mais paciência para jantares sorridentes e encontros cheios de hipocrisias com as pessoas das quais ela não gosta, ou que ela nem mesmo conhece.

O fato de a autora ser também roteirista, atriz e apresentadora, fez com que minha expectativa a respeito do livro não fosse muito grande. Preconceito meu, talvez? Muito provavelmente. O fato é que a escrita dela é surpreendente. A citação que mais me chamou a atenção foi a que menciona as reações da personagem enquanto leitora, durante a leitura de Thomas Mann (que ainda não li, mas está na minha lista também):

"Ela lê e relê, e todos os pêlos de seu corpo se levantam, eriçados. As pontas de seus seios saudáveis ficam ainda mais rijas, e a sua pele, toda pontilhada como uma galinha depenada. Só porque Thomas Mann está dizendo que 'não existirá paixão real, qualquer que seja a grande história de amor, o quinto ato derradeiro e fatal de uma ópera, a mais tórrida experiência sexual descontrolada, que seja maior do que a arte. Esta que marca o rosto de quem a domina com sulcos', feliz em deixar deu rastro de destruição. Mas que oferece, em troca de tanta dor, um tipo de supersensibilidade, uma curiosidade por minúncias, e uma única e incomparável capacidade para viver, 'mesmo que num monástico silêncio de existência exterior', o que nenuma vida tomada por esses prazeres todos citados logo acima poderia produzir. O escritor vive o que quiser; e como isso cansa."

Participei de um encontro sobre esse livro e muitas pessoas não gostaram dele. É provável que aconteça com os livros o que acontece com a autora: há quem a admire muito e quem não a suporte. Eu gostei da leitura. Fiquei com vontade de ler outros livros dela. Quem sabe em 2017...

Ao reler alguns trechos para escrever esse relato, lembrei de um filme que assisti há poucos dias na Netflix, chamado “O último capítulo”. Assim como “As pessoas dos livros”, o filme é sobre uma escritora, porém de livros de terror. Não sou muito fã desse gênero, mas acabei assistindo pela temática e não achei ruim.


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