Gostei desse livro da minha xará, Fernanda Young (As pessoas
dos livros, Editora Objetiva). A história é de uma personagem cheia de
contradições como todos nós, a escritora Amanda Ayd. Por um lado, uma escritora
independente e bem sucedida. Por outro, uma mulher enciumada e com sérios
problemas de autoestima.
Gostei demais da capa dessa edição também, com a autora de costas na capa. Comecei a ler assim que o livro chegou e só depois de ter lido algumas páginas eu percebi que na contracapa tinha a foto dela de frente.
Gostei demais da capa dessa edição também, com a autora de costas na capa. Comecei a ler assim que o livro chegou e só depois de ter lido algumas páginas eu percebi que na contracapa tinha a foto dela de frente.
O incômodo da personagem com a necessidade de ser feliz o
tempo inteiro é uma sensação que eu compartilho com ela. Amanda não tem mais
paciência para jantares sorridentes e encontros cheios de hipocrisias com as
pessoas das quais ela não gosta, ou que ela nem mesmo conhece.
O fato de a autora ser também roteirista, atriz e
apresentadora, fez com que minha expectativa a respeito do livro não fosse
muito grande. Preconceito meu, talvez? Muito provavelmente. O fato é que a
escrita dela é surpreendente. A citação que mais me chamou a atenção foi a que menciona as
reações da personagem enquanto leitora, durante a leitura de Thomas Mann (que
ainda não li, mas está na minha lista também):
"Ela lê e relê, e todos os pêlos de seu corpo se
levantam, eriçados. As pontas de seus seios saudáveis ficam ainda mais rijas, e
a sua pele, toda pontilhada como uma galinha depenada. Só porque Thomas Mann
está dizendo que 'não existirá paixão real, qualquer que seja a grande história
de amor, o quinto ato derradeiro e fatal de uma ópera, a mais tórrida
experiência sexual descontrolada, que seja maior do que a arte. Esta que marca
o rosto de quem a domina com sulcos', feliz em deixar deu rastro de destruição.
Mas que oferece, em troca de tanta dor, um tipo de supersensibilidade, uma
curiosidade por minúncias, e uma única e incomparável capacidade para viver,
'mesmo que num monástico silêncio de existência exterior', o que nenuma vida
tomada por esses prazeres todos citados logo acima poderia produzir. O escritor
vive o que quiser; e como isso cansa."
Participei de um encontro sobre esse livro e muitas pessoas
não gostaram dele. É provável que aconteça com os livros o que acontece com a
autora: há quem a admire muito e quem não a suporte. Eu gostei da leitura.
Fiquei com vontade de ler outros livros dela. Quem sabe em 2017...
Ao reler alguns trechos para escrever esse relato, lembrei
de um filme que assisti há poucos dias na Netflix, chamado “O último capítulo”.
Assim como “As pessoas dos livros”, o filme é sobre uma escritora, porém de
livros de terror. Não sou muito fã desse gênero, mas acabei assistindo pela temática
e não achei ruim.
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