terça-feira, 23 de agosto de 2016

Livro 23 - O assassinato de Roger Ackroyd

Finalmente tive a oportunidade de ler um dos livros da rainha do crime Agatha Christie. Em "O assassinato de Roger Ackroyd", o detetive Hercule Poirot, personagem que está em mais de 40 livros da autora, é o protagonista.

Recém chegado à cidade em que acabou de acontecer um assassinato, ele desvenda o mistério no decorrer da história.

A cada novo capítulo, surgem outros suspeitos e novas pistas. A narrativa nos envolve, queremos saber o que o detetive está pensando. Pude perceber que o estrondoso sucesso da escritora não foi à toa. Ela escreve de um jeito envolvente, nos captura e também nos engana. Conversamos sobre essa obra no Clube de Leitura de Sarapuí e teve até marcador de página personalizado com o bigode de Poirot.

Agatha Christie tem mais de 80 livros publicados. Seus suspenses foram traduzidos em todo o mundo e deram origem a filmes, séries, programas de TV. No entanto, falta um filme sobre a vida dela. Felizmente, há previsão de dois longas sobre ela para os próximos anos, com as atrizes Alicia Vikander e Emma Stone cotadas para representarem a escritora (notícia aqui).

Em 1926, um episódio pitoresco aconteceu e costuma ser lembrado quando se fala na autora. Ela simplesmente desapareceu por 11 dias, logo após se separar do marido. Dizem até que o fato ajudou a alavancar as vendas de seus livros e pode ter contribuído para o sucesso da escritora.

Encontrei diversos episódios da série britânica "Poirot", baseada em obras de Agatha Christie, disponíveis para assistir, com legendas, nesse site. Mas meu maior achado foi o episódio "O assassinato de Roger Ackroyd". Infelizmente, não está legendado e a qualidade do vídeo também não é lá das melhores, mas como gostei da história eu assisti. A atuação do ator que representa Hercule Poirot vale o play:

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Livro 22 - Moça com brinco de pérola

Esse é mais um daqueles livros que eu li depois de ter visto o filme. No caso de "Moça com brinco de pérola", de Tracy Chevalier, assisti ao filme inspirado no livro em 2003, no cinema. Lembro que na ocasião fiquei deslumbrada com a fotografia do filme e intrigada com a trama que envolvia um artista e uma obra de arte, a pintura que dá título ao livro, ambos reais.

Sobre o livro, só fui ter contato com ele em 2016, motivada pela busca por autoras em função do movimento Leia Mulheres, que tem clubes de leitura por todo o país que se dedicam à leitura de escritoras brasileiras e estrangeiras, clássicas e contemporâneas.

É uma leitura que flui muito bem e tem uma riqueza de detalhes nas descrições de cada atmosfera, de cada ambiente e, principalmente, das pinturas e do trabalho do artista Johannes Vermeer. Particularmente, relembrei de muitas cenas do filme ao ler e, assim como quando assisti, novamente na leitura gostei muito das referências à câmara escura, precursora da câmera fotográfica, como ferramenta de trabalho do pintor.

A curiosidade e o fascínio que o equipamento desperta nos personagens tem algo de mágico. Como amante da linguagem fotográfica, não poderia deixar de ressaltar esse aspecto do livro, que também tem vez na versão da história adaptada para o cinema.

Fiquei com muita vontade de rever o filme, que tem Scarlet Johanson como protagonista, no papel de Griet, a empregada protestante contratada para trabalhar na casa da família católica do artista plástico Vermeer. Essa é a cena em que ela vê a câmara escura pela primeira vez e aprende a preparar as tintas:

 

Tive a oportunidade de visitar uma exposição que tem uma versão do quadro que deu origem ao livro e ao filme. É uma "Moça com brinco de pérola" feita com peças de Lego. Depois de assistir ao filme, ler o livro e ver um simulacro do quadro, espero ter um dia a oportunidade de estar frente a frente com o original de Vermeer, em exposição no Mauritshuis Museumn, em Haia, na Holanda.


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Livro 21 – Um útero é do tamanho de um punho

Foi navegando na internet que descobri Angélica Freitas. Mais especificamente, em uma dessas listas do tipo “As dez melhores autoras brasileiras” ou “Cinco livros sobre a condição feminina”.  Gaúcha, como eu, ela traz em seus poemas algumas referências à vida no Rio Grande do Sul.

Entre risadas e algum amargor na boca, os poemas em "Um útero é do tamanho de um punho", editado pela extinta editora Cosac Naify, falam muito sobre o ser mulher, se ver mulher, se aceitar como mulher. O poema que dá título ao livro é um dos mais fortes, um grito pelos direitos das mulheres para decidir, por conta própria e sem qualquer tipo de interferência da política, da religião ou dos homens,  o que fazer com o próprio corpo. Os poemas estão divididos em subtítulos:  “Uma mulher limpa”; “Mulher de”; “A mulher é uma construção”; “3 poemas com auxílio do Google”; “Argentina” e “O livro rosa do coração dos trouxas”.

Os poemas escritos com auxílio do Google revelam muito sobre como o machismo ainda está presente. Para escrevê-los, a autora digitou, no buscador, alguns inícios de frases com a palavra mulher. O que se revelou foi um mar de preconceito, machismo e misoginia entre os assuntos mais pesquisados, que o preenchimento automático indica nesses casos. Por exemplo: A mulher quer (primeira opção: ser amada; segunda opção: um cara rico).





Gostei de um poema em particular, que diz muito sobre a família tradicional brasileira, aquela em que a mulher trabalha muito mais e ganha muito menos dinheiro e reconhecimento que o homem:

Mulher de valores

era bem de sagitário
e o primeiro que fazia
era dar bom dia, dia
à janela
depois acordava os filhos
e ao marido lhe dizia
deus ajuda quem madruga
seu madruga
despachava a família
 e ligava o notebook
conectava-se à bolsa
de valores
e lá fazia horrores
porque tinha feito um curso
de como operar a bolsa
na fiergs
investia alguma coisa
e ganhava coisa alguma
que investia novamente
no mercado
e quando chegavam os filhos
e chegava o marido
eles comiam congelados
da sadia
às onze os despachava
e abria o notebook
pra jogar o seu mahjong
descansada
mal podia esperar
que chegasse a manhã
e reabrisse a sua bolsa
de valores
de valores
de valores

A leitura desse livro, principalmente do poema que dá título a ele, me fez lembrar de um filme que assisti recentemente, sobre uma moça que engravida do namorado sem querer e pede a ajuda da avó para conseguir fazer um aborto, mas acaba tendo que pedir ajuda à mãe para pagar pelo procedimento. É uma história que seria banal, se o acesso ao aborto não fosse tão cheio de caraminholas e tabus que não só dificultam a vida de quem opta por interromper uma gravidez, como acaba causando a morte de muitas mulheres que são obrigadas a apelar para verdadeiros açougues e muitas vezes não voltam mais.

Se é complicado assim nos Estados Unidos, país em que o aborto é legal até determinado período da gravidez, imagina se a situação ocorresse no Brasil...



Além disso, a gravidez indesejada faz com que neta e avó se tornem mais próximas, em uma história bonita de cumplicidade e carinho entre as duas. Recomendo muito esse filme e o livro da Angélica Freitas também.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Livro 20 - Os sofrimentos do jovem Werther


Aos poucos, vou aprendendo a gostar daqueles clássicos que nos tentam fazer ler antes de estarmos preparados para isso. "Os sofrimentos do jovem Werther", de Johann Wolfgang Goethe, é um desses livros que todo mundo deveria ler. Dizem que essa obra divide a literatura alemã em dois momentos, antes e depois de sua publicação em 1774. Mas talvez seja mais do que isso.

Contada através de cartas escritas pelo protagonista a um amigo, a história extrapola os sofrimentos e as angústias de Werther de forma pungente. Entre sonhos e desejos, em alguns relatos surgem pensamentos relacionados à morte, não só do próprio Werther, mas de pessoas que impedem a realização de seus planos e a concretização de um relacionamento com Carlota:

"Num piscar de olhos tudo se modifica em mim. Por vezes um doce clarão devida que voltara a surgir e iluminar-me com uma vaga claridade, mas ah... ele dura apenas um momento! Quando me perco assim em sonhos, não posso expulsar esta ideia: ora, e se Alberto morresse! Tu virias... sim, ela viria a ser... E eu sigo a alucinação, até que ela me conduza ao abismo, à beira do qual me detenho e recuo a tremer."

Entre as declarações de amor, manifestações de ciúme e descrições de dilemas existenciais, o autor traz algumas críticas sociais, à dedicação incondicional ao trabalho, ao que hoje chamaríamos de consumismo talvez (como no trecho da imagem ao lado).

Houve alguns suicídios atribuídos ao romance, na época de sua publicação na Alemanha. Atualmente, a "Síndrome de Werther" é como chamam a vontade de se suicidar que acomete adolescentes e jovens. Um tema delicado, ainda visto como tabu, mas sobre o qual é preciso falar. Aqui tem uma matéria interessante, de 2014 que foi publicada logo após o suicídio de duas adolescentes, uma no sul do país, outra no nordeste, após terem imagem íntimas divulgadas na internet. 

Em 2009, foi lançado o primeiro longa-metragem do premiado diretor Esmir Filho (curta-metragens 'Saliva', 'Alguma Coisa Assim', 'Tapa na Pantera'), baseado no romance homônimo de Ismael Caneppele. Lembrei desse filme ao terminar de ler "Os sofrimentos do jovem Werther".