domingo, 6 de março de 2016

Livro 7 – Eu sou Malala

Ela foi alvejada pelo Talibã no rosto, voltando da escola, no Paquistão, com 15 anos. Em 2014, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Malala Yousafzai é uma guerreira que, desde muito jovem, aprendeu o valor da educação e da liberdade. E lutar por elas se tornou seu objetivo, mesmo que isso significasse risco iminente de morte. “Não quero ser lembrada como a ‘menina que foi baleada pelo Talibã’ mas como ‘a menina que lutou pela educação’. Esta é a causa para a qual estou dedicando minha vida”.


O livro, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, deu origem a um filme (trailer acima). É o diário de uma adolescente. A própria autora compara seus registros com outro diário famoso, o de Anne Frank. O que assusta um pouco é que os dramas que ela relata aconteceram neste século, há menos de uma década. Anne Frank não sobreviveu ao Holocausto, infelizmente. Mas Malala Yousafzai sobreviveu, felizmente, a um ataque do Talibã. Ela só queria ir à escola. Que meninos e também as meninas pudessem frequentá-la.


Os pais de Malala, na ONU, assistindo ao discurso da filha.
A mãe de Malala, analfabeta, estava começando a estudar quando aconteceu o atentado. Pelo relato do livro, não é possível saber se ela retomou os estudos na Inglaterra, onde a família passou a viver. Espero que sim. Apesar de não ter frequentado a escola, a mãe de Malala também a influenciou a lutar por sua liberdade. Enquanto as amigas dela, na juventude, sonhavam em casar e cozinhar para a família, ela tinha outros planos. “Quero morar em uma cidade e poder mandar buscar kebabs e naan em vez de cozinhar”.

A influência do pai é inquestionável. Entusiasta da educação, inclusive de meninas, ele sempre a incentivou. “No meu lado do mundo a maior parte das pessoas é conhecida pelos filhos que têm. Sou um dos poucos pais sortudos conhecidos pela filha que têm”. As palavras foram proferidas por ele ao receber uma homenagem para Malala na França.
Desenho dela aos 12 anos: sonho de harmonia entre as religiões
Por não cobrir o rosto e continuar frequentando a escola mesmo contra determinações do Talibã, Malala foi acusada de disseminar a doutrina ocidental no vale em que vivia no Paquistão, se tornando alvo dos extremistas. “Educação não é oriental nem ocidental, é humana”, ela afirma no livro.  Muçulmana, defende o que chama de paz entre as religiões e não concorda com a interpretação do Corão que considera as mulheres como inferiores e totalmente submissas aos homens e dependentes deles.


Leitura importante, mesmo porque ainda acontecem muitos dos absurdos mencionados no livro, como a obrigação de mulheres usarem burcas, a proibição de frequentarem escolas e mesmo de circularem em locais públicos sem um homem da família por perto. Isso sem mencionar a proibição de ouvir música, a prática de apedrejamentos e açoitamentos públicos, entre outros absurdos que podem estar acontecendo no momento em que escrevo esse texto, e também no momento em que ele é lido.

A respeito dessas práticas, recomendo o filme Timbuktu, de 2014 (que levou o Oscar de Melhor filme estrangeiro). 




Nada melhor que fechar com as palavras de Malala no discurso proferido por ela na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), no dia em que completou 16 anos: “Que possamos pegar nossos livros e canetas. São as nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”. Uma Malala também pode.


Assista ao discurso na íntegra, com legendas:





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