Esse é um daqueles livros com os quais tomamos contato por acaso. Comprei ele em uma promoção, em uma loja de conveniência. Havia vários títulos disponíveis, escolhi alguns e olhei atentamente as capas, li as sinopses e orelhas enquanto tomava um suco. O livro de Christopher Hope, "Os amantes de minha mãe" (Editora Record), foi o escolhido.
Logo no começo, me agradaram algumas passagens em que outros escritores são mencionados como amigos de Kathleen, a mãe do protagonista Alexander, narrador da história. Karen Blixen é uma delas. "Sua admiração por Karen Blixen, a quem ela visitou algumas vezes quando era menina, não tinha nada a ver com o caso de amor de Blixen pelos planaltos quenianos; o motivo era mais simples: - Meu Deus, como aquela mulher sabia matar leões!"
Os diálogos entre mãe e filho são carregados dos mais variados sentimentos. Uma relação complexa, como toda relação familiar:
"- Aquela exibida! Um desses estrangeiros que vêm para cá e romantizam a África. Nascido em liberdade uma ova! Deixe-me dizer-lhe uma coisa, rapaz, nada e nem ninguém nasce livre; nenhum de nós pode alegar isso; a liberdade é algo que você tem que trabalhar para conseguir e lutar para conservar.
- Sim, mãe.
- Não diga 'Sim, mãe' para mim.
- Não, mãe."
O fascínio da mãe pela África, por viajar e conviver com diferentes culturas e biomas, faziam dela um grande desafio a ser encarado pelo filho desde criança. Mesmo após a morte.
"- Você vai cair no rio e vai ser levado por crocodilos.
Eu não fiquei nem um pouco preocupado, em sempre tive a impressão de ter caído, muito tempo antes, dentro de algo tão profundo e marrom e caudaloso quanto o Tugela, e de ter sido levado, e ainda não tinha me afogado. Mães era onde você se afogava. O Tugela era apenas um rio, e com rios eu sabia lidar."
O desfecho da história não é menos surpreendente. Ao ser obrigado a refazer passos da vida da mãe para distribuir sua herança, Alexander se vê envolvido em outras histórias e passa a conhecer a própria mãe um pouco melhor, a vê-la de outro ponto de vista. Livro excelente. Fiquei triste quando acabou.
Com a menção a Karen Blixen e sua paixão pelo Quênia, lembrei de seu livro "África minha" e da versão para o cinema, que em português chama-se "Entre dois amores", que levou 7 prêmios no Oscar de 1985.
Em 2015, me desafiei a ler 24 livros e fechei o ano com 28 obras lidas. Para 2016, o desafio a ser superado foi de 36 livros e eu li 50! Em 2017, o desafio é ler nada menos que 70 títulos. Criei este blog para publicar breves relatos sobre cada leitura realizada, sempre relacionando os livros com filmes, músicas ou outras formas de arte. Contato: nanda.jornal@yahoo.com.br
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