sexta-feira, 15 de julho de 2016

Livro 18 – Capitães da areia

Este é um daqueles livros que nos obrigam a ler quando ainda não estamos preparados para usufruir da experiência dessa leitura. Eu li “Capitães da areia”, de Jorge Amado, pela primeira vez, aos 12 ou 13 anos. Lembro de até ter gostado, mas certamente não tive condições de usufruir desse clássico naquela ocasião.

Dessa vez, a leitura trouxe mais um desafio: eu teria que mediar, pela primeira vez, um encontro de leitores, sobre esse livro. Para complicar um pouco mais, eu teria que ler e fazer minhas anotações em um período no qual precisei pegar a estrada diversas vezes. Foi por isso que a leitura desse livro se deu em três suportes diferentes: o livro físico, que precisei devolver para a biblioteca quando estava chegando à metade da história; o livro digital, que passei a ler em seguida; e o áudio-livro. Resolvi aproveitar para ouvir o livro enquanto dirigia e foi uma experiência muito interessante.

A desvantagem de ouvir o livro dirigindo é não ter como fazer anotações ou marcações. No entanto, foi uma ótima saída para conseguir chegar ao final do livro em tempo. Além disso, o áudio tinha excelente qualidade e uma narração, em minha opinião, no ritmo ideal – nem lenta, nem rápida demais.

A história dos meninos que vivem em um trapiche, em Salvador, cometendo furtos e outros delitos para sobreviver, é um exemplo de literatura voltada à crítica social. Jorge Amado transforma em protagonistas crianças abandonadas, que vivem à margem da sociedade. O livro chegou a ser queimado e proibido no Brasil, na época da Ditadura Militar. Jorge Amado, assim como outros escritores, artistas e intelectuais dos anos 30, época em que o livro foi escrito (1937), era declaradamente comunista, posição perceptível nessa e em muitas de suas obras. Saber de tudo isso enriquece a leitura.

Em 2011, foi lançado um filme inspirado no livro, dirigido por Cecília Amado. Já faz alguns anos que assisti. Lembro de ter gostado, mas me decepcionado um pouco com algumas atuações. A fotografia é linda, o que não surpreende, já que as gravações ocorreram em Salvador.

Nenhum comentário:

Postar um comentário